Uma frase… muita aventura.

Desenvolvendo um gancho de aventuras

Uma das coisas mais interessantes que se vê por aí são os famosos “Aid Games”. Sites, listas, e material que serve para auxiliar o narrador na missão de fazer sue jogo cada vez mais divertido e melhor, tanto para ele como para seus jogadores.

Uma das ferramentas mais comuns desse tipo de “ajuda” são as listas com ganchos ou idéias de aventuras. Especialmente úteis esses materiais costumam trazer pequenas frases que podem ser facilmente convertidas em aventuras e em alguns casos em até campanhas inteiras. Navegando por aí eu encontrei um site chamado “D&D Wiki” com um riquíssimo material que pode ajudar as campanhas de qualquer um. Não apenas para D&D, mas para seus contrapartes como Mighty Blade, Old Dragon entre tantos outros.

O objetivo desta postagem rápida é mostrar o passo a passo de como converter uma ideia ou gancho de aventura numa aventura.

Idéia selecionada: Vistaru, Lord of the Mountain, is attacking small towns surrounded by his kingdom in hopes of expanding his army before his assault on the capital, ou, em português: Vistaru, o Senhor da Montanha, está atacando pequenas cidades nas cercanias do reino, na esperança de expandir seu exército antes de seu ataque contra a capital.

Vamos separar os termos da frase e ver o que conseguimos pegar para a criação de nossa aventura:

Vistaru, o Senhor da Montanha (Humano, Gue 10) – Nobre de nascimento (Duque), ligado ao antigo modelo de governo, acredita que o atual governante é fraco e corrupto. Ele deseja assumir o trono e tornar o reino uma extensão de seus domínios. Carismático, ele angaria cada vez mais soldados entre as camadas mais pobres da população com promessas de um mundo e um futuro melhor.

Vistaru é conhecido como o Senhor da Montanha por seu castelo, o Ninho do Falcão fica num dos pontos mais isolados da região montanhosa ao norte do reino. Praticamente inexpugnável para exércitos de larga escala.

Atacando pequenas cidades nas cercanias do reino – “Se o mingau está quente comece comendo pelas beiradas” é uma frase comumente ouvida pelos soldados do

Senhor da Montanha. Ele começa atacando e conquistando as áreas mais afastadas do reino, pois quanto mais longe da capital, menor o poder e a influência do governo. Cidades mais afastadas sofrem com a falta de ação do governo. São presas fáceis para a lábia de Vistaru.

Na esperança de expandir seu exército – o Duque apesar de ambicioso não é tolo. Ele sabe que não tem soldado o bastante para enfrentar uma guerra em larga escala. Por isso ele precisa de cada vez mais soldados. Seu próprio exercito é composto por uma mistura pouco homogênea de mercenários contratados (magos e rangers em sua maioria), recrutas, e sua própria guarda, veteranos de outras guerras e um poucos soldados experimentados.

Antes de seu ataque contra a capital – Essa é uma ameaça real. A medida que o tempo passa o Duque adquire novos seguidores e seu exercito ganha mais recrutas a cada nova vitória.

Bem, recolhemos uma boa quantidade de informações aqui. O que mais podemos fazer? Se investigarmos em livros como “The forge of war” (Eberron) teremos uma boa ideia de como resolver conflitos de guerra como este. Importante pensar que os exércitos de Vistaru não são um grupo homogêneo e disciplinado. Estão mais para uma horda de soldados mais ou menos organizados, cada um buscando se sobressair para chamara a atenção de seu soberano.

Organizando o seu exercito:

Vistaru organizou seu exercitoem pelotões. Cadapelotão é composto por três esquadrões leves ou por dois esquadrões pesados. O conjunto organizado de cinco pelotões é chamado de Companhia e é liderado por um personagem de nível 5 (guerreiro ou paladino). Vistaru tem seis companhias a seu serviço atualmente, divididos em Infantaria (a pé), Cavalaria (leve) e Cavalaria Aérea (apenas um pelotão).

Estrutura do esquadrão leve:

Sargento: (1) (guerreiro 2 ou clérigo 1) – armadura de cota de malha (obra-prima), escudo, espada (ou maça, ou machado), arco e flecha, elmo de ferro e botas.

Soldados (7) (Combatentes 1) – armadura de cota de malha, escudo, espada (ou maça, ou machado, ou espada de duas mãos), arco e flecha, elmo de couro e botas.

Recrutas (2) (Plebeus 1) – armadura de cota de malha, escudo, espada (ou maça, ou machado, ou espada de duas mãos), arco e flecha, elmo de couro e botas.

Variação: o lugar de um dos soldados pode haver um especialista agindo como mensageiro. Ele usa armadura de couro e não carrega escudo.

Estrutura do esquadrão pesado:

Sargento: (1) (guerreiro 3 ou clérigo 2) – armadura de placas (obra-prima), escudo, espada (ou maça, ou machado), arco e flecha, elmo de ferro e botas.

Soldados (7) (Combatentes 2) – armadura de cota de placas, escudo, espada (ou maça, ou machado, ou espada de duas mãos), arco e flecha, elmo reforçado de couro e botas.

Recrutas (2) (Combatente 1) – armadura de placas, escudo, espada (ou maça, ou machado, ou espada de duas mãos), arco e flecha, elmo reforçado de couro e botas.

Variação: o lugar de dois dos soldados pode haver um mago de batalha. Ele usa uma varinha de mísseis mágicos ou de mãos flamejantes (50 cargas) e tem um lobo como criatura guarda-costas.

Estrutura da cavalaria leve:

Capitão: (1) (guerreiro 4 ou clérigo 3 ou paladino 3) – armadura de cota de malha (obra-prima), escudo, arma +1 (espada, ou maça, ou machado), arco e flecha, elmo de ferro (obra-prima) e botas.

Sargento-ordenança (2) (Clérigos 3) – armadura de cota de malha (obra-prima), escudo, arma +1 (espada, ou maça, ou machado), arco e flecha, elmo de ferro e botas.

Cavaleiros (7) (Guerreiros 1) – armadura de cota de malha, escudo, espada (ou maça, ou machado, ou espada de duas mãos), arco e flecha, elmo de couro e botas.

Variação: o lugar de um dos sargentos pode haver um ranger. Ele tem um companheiro animal (normalmente um falcão) e serve como batedor.

Estrutura da cavalaria aérea:

Capitão de asas: Lawrence Faithfeather (1) (humano, guerreiro 5) – armadura de cota de malha +1, escudo +1, arma +1 (espada longa), elmo de adamantine (obra-prima) e botas.

Cavaleiros de Asas (9) (Guerreiros 4) armadura de placas (obra-prima), escudo, espada (ou maça, ou machado), arco e flecha, elmo de ferro e botas.

Todos cavalgam grifos (Manual dos Monstros).

E como fica a aventura? Pode ser de várias formas. Os personagens podem estar no caminho de um dos grupos de ataque de Vistaru, podem se aliar a ele, podem ser contratados para assassiná-lo, podem ir atrás do filho de um amigo que resolveu entrar para o exercito do Duque, podem ser contratados pelo Duque para resgatar uma pessoa ou item…

Ou seja, com o material correto você nunca vai ficar sem jogo.

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Livros para quem quer ler

Vamos jogar bola! Não, vá ler um livro.

Este texto é uma atualização/releitura de um artigo que escrevi em 2008. Apesar de minha intensa falta de tempo, resolvi espremer alguns minutos da minha agenda para falar sobre esse assunto – que aliás eu considero de muita importância: temos que ler mais.

Hoje estava relembrando a conversa que tive com um amigo sobre livros, contos, estilos de escrever e coisas afins. De repente ele começou a me dar conselhos sobre narrativa, que o Trevisan (um autor que ele gosta) escreve assim e assado e tal… Bom, longe de mim recusar conselhos dos outros; eu os escuto bem, mas no final a decisão de segui-los ou não é sempre minha.  Entretanto o autor que ele se refere não é nem de longe um autor que eu considero de referência para o estilo que eu gosto. Sei lá. Não consigo gostar do estilo de narração que ele impõe nas suas histórias. Inevitavelmente o cara citou o Leonel Caldela, um autor moderno com ótimos resultados no mercado. Outro que eu não gosto. Sei lá, um pouco visceral demais.

Então eu lhe perguntei sobre outros autores que eu gosto e pelos quais me guio na hora de escrever. Autores de referência, que marcaram a minha infância e que de certa maneira me fizeram gostar desta arte quase esquecida de abrir um livro e ler seu conteúdo apenas por diversão. Sidney Sheldon, Giulia Moon, Trevinian, Aran, Marcos Rey, Lúcia Machado de Almeida, Maria José Dupré, entre outros. Ele disse que fora Sheldon que ele achava um “escritor de segunda” ele como universitário recém-empossado não tinha dinheiro para conhecer autores importados.

Daí eu expliquei – meio que em vão – que existem bons autores em português. Da lista que eu passei inicialmente pelo menos três são nacionais e o custa de seus livros é irrisório. Acabei citando a série vaga-lume, da editora ática. Ele perguntou do que se tratava. Fiquei meio espantado. Era a primeira vez que encontrava uma pessoa que gostava de literatura e que não conhecia a série. Respondi que era uma série de livros lançada na década de setenta-oitenta, paradidáticos, com foco voltado a literatura infanto-juvenil.

Pois não foi que ele usou a mais clássica das falácias que meus alunos usam para dizer que não gostam de uma coisa mais velha que de dois anos atrás: “Por isso ninguém vai conseguir ler. Tem mais de vinte anos. Você não pode esperar que um moleque leia algo fora da realidade dele sem achar chato pra cacete. Quer dizer, se ele pode achar coisa na linguagem dele em mangás e na internet, porque ler um livro? É triste, mas é verdade. Se você não torna algo atrativo para o seu publico alvo, eles não consomem”.

Puxa vida, tenho de dizer: doeu ler isso de um universitário. Eu vivo me esquecendo que a universidade tem pro obrigação dar apenas “informação”. A famosa formação que todos nós queremos vem única e exclusivamente da vontade própria e o hábito adquirido. Por todos os leitores de Guerra dos Tronos! Ele nem mesmo se deu ao trabalho de ler o livro, seja por que motivo for, e já saiu detonando o material como desatualizado, chato e sei lá o que mais. É como se eu ouvisse os alunos da escola reclamando dos livros que vão ter de ler sem nem ao menos terem aberto as publicações. Assumir esta postura é o primeiro passo para se tornar um leitor de sovaco.

Pelo argumento dele autores como CS Lewis, JRR Tolkien, Senno Knife, entre outros deveriam ficar relegados aos pacotes de três por um real, porque nenhum adolescente se interessaria em ler essas velharias. É o mesmo argumento que usam pessoas que tem preguiça de ler novos autores e ficam apenas com os que conhecem. É aquele cara que já leu Harry Potter dez ou quinze vezes (cada um dos livros) e não se anima a ler mais nada – nem temas correlatos como as aventuras do caça-feitiços.

Faz alguns anos recebi um convite para ver uma peça encenada por alunos de uma escola pública aqui da minha região sobre as obras de machado de Assis (e pasme, todos tem entre 12 e 16 anos). Não muito tempo atrás alguns alunos meus usaram a obra de Nietzsche “O Crepúsculo dos Ídolos” para fazer um filme policial. Material de primeira – levando e conta que nenhum dele poderia dirigir.

Desta forma eu venho fazer um convite aos amigos: que no ano de 2012 não sejamos mais tacanhos e acomodados. Não vamos jogar bola. Os sebos estão aí e bons livros são encontrados por uma ninharia. Procuremos novos autores e deixemos os autores de “nicho” de lado. Procure por títulos desafiadores, procure por gêneros novos, descubra novos horizontes e possibilidades. Depois, venha me dizer o que achou de ler velharias.

Recomendo para aqueles que não sabem por onde começar os livros da série “vaga-lume”. Sem dúvida alguma, é um marco na literatura brasileira direcionada ao público jovem, mas que fez (e faz) sucesso junto a qualquer idade.

Então, largue dessa  frescura de colheita feliz e vá ler um livro!