Minha mesa na RPGCON

Vou para onde?

Apertei algumas coisas aqui em casa e consegui comprar a passagem para São Paulo. RPG COM aí vou eu. O que vou mestrar esse ano? Uma mesa de Mutantes e Malfeitores (50% de chance) e uma mesa de Shotgun Diaries (Yes).

Vou comprar meus ingressos na melhor loja de RPG do Brasil: a Moonshadows.

Infelizmente, devido a alguns compromissos que tenho no DF, terei de ir embora no domingo mesmo.

Mas espero ver todos vocês por lá.

Adolescentes peitudas e o apocalipse zumbi

High School of the Dead – HOTD

O que você faria se fosse um estudante secundarista que se vê de uma hora para outra no mundo do apocalipse zumbi? Essa pergunta procura ser respondida pelo mangá High School of the Dead – HOTD. Escrita por Satou Daisuke e desenhada por Satou Shouji o mangá é bem sangrento e tem uma visão cheia de aventura, drama, com grandes pitadas de seios e poses comprometedoras. Não à toa, o seu desenhista é famoso pelo seu trabalho em quadrinhos do tipo hentai e isso transparece de forma indelével na sua obra. Atualmente com 5 volumes publicados (algo em torno de 25 capítulos) o material será publicado pela editora Panini e deve virar anime em breve.

Mas o que se pode aproveitar desse material? Bem se você é fã do tema (zumbis) o material é um prato cheio para você. O primeiro volume é disparado o melhor dos que li até agora (estou terminando o volume 3) e mal posso esperar para por as mãos no material da Panini. O Mangá é recheado de personagens carismáticos e dilemas morais e éticos, além dos típicos problemas de relacionamento da juventude.  Ao contrário de Walking Dead, que tem o mesmo tema e é mais focada num grupo de sobreviventes adulto,  HOTD traz uma visão interessante: como um bando de colegiais poderia sobreviver ao apocalipse zumbi?

As idéias para aventuras são muitas. Você pode colocar a situação para jogadores em qualquer sistema, embora eu ache que os mais adequados são o próprio Shotgun Diaries e o Mutantes e Malfeitores. Neste caso aconselho personagens SEM superpoderes e com NP até 4, no máximo.

Eu quase mudei minha aventura de Shotgun diaries que eu vou mestrar no EIRPG deste ano com base no que eu li. Mas mesmo que eu não mude aventura, eu incorporei pelo menos mais dois sobreviventes ao bando que vai participar da aventura “The Long Night”: além dos tipos que eu já tinha escalado vão entrar mais dois: o maníaco por armas e a campeã de kendô.

Falando em kendô, a série desmistifica o uso da katana como arma para matar zumbis.  Hirano Kouta (o maníaco por armas) explica que a katana, apesar de ser muito afiada não serve para matar zumbis: “A lâmina de uma espada japonesa fica cega se acerta um osso e após três ou quatro pessoas a lâmina estará acabada… katanas não são o suficiente”. A série dá também uma série de dicas de como fazer barricadas com fita crepe branca e cadeiras.

Enfim é uma leitura um pouco densa. Aconselho mesmo.

Capas, fãs e sistemas de jogo.

Não sei se vocês sabem, mas eu torço pelo flamengo. Sem flamewars aqui. Eu torço, sabe-se lá por que. Não tem um motivo. Eu gosto. É simples. Fico bem de preto e vermelho, gosto do som de “mengo!”, acho o hino bacana (tenho o toque no meu celular), e o último jogo que eu vi foi lá em 1989. A única coisa que eu realmente odeio no Flamengo é a sua torcida. Putz, que bando de tipinhos detestáveis. A grande maioria, com o perdão da palavra, deveria ser proibida de chegar a menos de 100 metros de uma bola de futebol ou de um estádio ou qualquer coisa que remotamente lembrasse um jogo de futebol, sob pena de fuzilamento imediato. E isso de odiar os torcedores como um conjunto não é uma exclusividade do futebol.

O pior é que constatando por aí, tem algumas coisas que eu odeio por causa dos fãs, muito mais do que pela obra em si. Peguemos por exemplo o caso de Crepúsculo. Não sei bem o que é pior: se é a previsível historinha água-com-açúcar misturado com groselha, ou se é a interpretação pálida de seus protagonistas ou se é a histeria coletiva que ele causa em adolescentes femininas. O peso da histeria, eu acho, é bem maior. Quem viu minha seção “fãs de crepúsculo, postem aqui”, sabem do que estou falando.

Com jogos de RPG as coisas são mais ou menos do mesmo jeito. Eu tenho meus sistemas favoritos e aqueles que eu não vou com a cara. O motivo? Sei lá, o santo não bate, ou bate até demais. Alguns dos que eu gosto foi amor a primeira rolada de dados como foi o caso com Eberron. Outros eu me apaixonei mesmo antes de ler o livro, como foi o caso do Mouseguard. E outros eu gostei tanto que simplesmente escrevi um sistema para ele (GTA, someone?). Claro que têm outros que se me dessem de presente eu doaria para uma biblioteca pública ou queimaria com querosene e enterraria as cinzas num aterro sanitário destinado a lixo hospitalar (o que viesse primeiro).

Em outros, e graças a Deus, eu odeio muito mais os fãs do jogo do que o jogo em si. E nem é o pedantismo idiota que me chateia tanto. É a degeneração do termo fã, que acaba por virar “fanático”. Existem diferenças, quer ver?

Fã ([fɛn], inglês: fan [fæn], de fanatic  “Fanático“) é uma pessoa dedicada a expressar sua admiração por uma pessoa famosa, grupo, idéia, esporte ou mesmo um objeto inanimado (por exemplo, um automóvel  ou um modelo de computador).

Fanático. Quem pratica o fanatismo. Fanatismo (do francês “fanatisme”) é o estado psicológico de fervor excessivo, irracional e persistente por qualquer coisa ou tema, historicamente associado a motivações de natureza religiosa ou política. É extremamente freqüente em paranóides, cuja apaixonada adesão a uma causa pode avizinhar-se do delírio.

O fanático, especialmente em RPG, tende a repetir a forma das idéias preconcebidas que ele “enxerga” como a verdade absoluta. O problema é que o fanático usa as mesmas armas dos outros fanáticos. Armas que, quando são usadas contra eles geram aquela sensação de pênalti marcado contra o nosso time com 49 do segundo tempo. Jamais vou me esquecer de um internacional desses da vida, feito lá no Center Norte caiu no mesmo dia da Marcha para Jesus. Caramba, nunca vi tanto barulho num só vagão de metrô.

Os fanáticos do sistema ou das regras saem com muita pressa de casa para pregarem as benesses de seu material. Bairristas, eles não aceitam qualquer crítica. A impressão que se tem é que eles andam por aí com aqueles arreios de cavalos, que os impedem de olhar para os lados. Eles só olham para frente e para aquilo que os mantenedores do seu objeto de fanatismo diz para eles olharem.

Outro detalhe dos fanáticos, que por acaso também não me agrada, é a lógica distorcida que os guia. Uma das falácias que eu mais escuto é: “se você não gosta, faz melhor”. Puxa, se fosse assim apenas diretores de cinema seriam capazes de criticar um filme. Valberto, você não gostou de Ameaça Fantasma? Não, a nova trilogia de Guerra nas Estrelas é muito ruim. Então, qual foi o seu filme que arrecadou milhões de dólares mundo a fora? Ficou claro?

Outra característica é que o fanático não aceita críticas e reage de forma quase violenta quando você aponta qualquer coisa que não seja perfeita no seu sagrado material. Ora, eu fui brindado hoje cedo com uma foto do número de pedidos para a Loja Jambô do novo livro de Tormenta com a legendinha do lado: “E esse é o numero de pessoas que não gostou do mangá na capa…”.

Na verdade esse exemplo é bem emblemático. Fã que é fã não vai deixar de comprar uma obra apenas por que não gostou da capa. Eu sou um grande fã do Iron Maiden, mas as capas dos últimos três discos de estúdio foram ruins de doer. De verdade. Não se comparam às obras primas de Derek Riggs, por exemplo. Mas se a capa não é o bastante para que um fã deixe de comprar é o bastante para que o fanático saia caindo de pau em todo mundo que não gostou. No exemplo da capa de Tormenta é uma falácia e tanto você dizer que todo mundo que comprou gostou da capa.

E como resolver a questão dos fanáticos? Não se resolve. Cada fanático só o deixará de ser quando for capaz de perceber que seu objeto de fetiche não é assim tão poderoso. Eu já fui fanático por um monte de coisa, mas hoje me contento em ser um fã. Não gosta da trilogia clássica? Mande um e-mail para o George Lucas. Tenho certeza que ele vai se interessar por ela muito mais do que eu. Mas fique à vontade para comentar no meu blog – desde que eu tenha algo a ver com o caso.

Entretanto, se você for mais um “maldito fanático”, por favor, não perca seu tempo comentando aqui. Eu vou apagar sua mensagem sumariamente. Não por que eu não goste de críticas. Eu gosto. Mas não gosto de críticas sem embasamento. É o lance: eu não vou comemorar o título do flamengo feito um idiota se o mengo ganhar o jogo aos 49 do segundo tempo com gol de mão e impedido…

O segredo era… GURPS

Meu chapa, você não se cansa de errar não?

Eu não me recordo de quem foi que recebi essa mensagem acima, se foi por e-mail ou se foi por ICQ ou MSN, ou por um SMS via celular. Sei que eu resolvi guardar o seu significado muito especial. Se eu erro, é porque pelo menos eu tento. Diferente de um bando de macacos de torcida que escrevem recados assim.

Então… o grande segredo da devir é o gurps 4° edição? Só com seis anos de atraso? Puxa, dessa vez a devir se superou. Eu mesmo já tinha escrito antes que o gurps estava morto no Brasil. Na época que escrevi aquelas palavras era de fato verdade e o sistema estava cada vez menos movimentado. Mas adivinha quem colocou a carroça para andar e colocou de volta no mercado o grups?

Não me leve a mal, caro leitor. Não tenho nada contra o GURPS. É um ótimo sistema para ser usado como referência. Guardo com muito zelo meus livros do sistema, todos voltados para a edição anterior a esta, como material de referência. Mas eu me pergunto se realmente existe espaço para um livro como o gurps nos dias atuais?

Tenho depoimentos de alguns amigos que trabalham em lojas de RPG que dizem que não há mais espaço para o sistema no Brasil. Sem uma revista que sustente e faça promoção do material GURPS vai ser apenas mais um livro nas prateleiras. A não ser, claro, que a Devir tenha um plano de marketing contingente neste sentido, o que, observando o histórico da companhia, eu duvido.

Você vai comprar o livro? Eu não vou. Tenho mais sistemas aqui em casa do que realmente sou capaz de jogar. Se é para dar suporte a alguma coisa nova seria na tradução do Shotgun Diaries ou na divulgação do Mighty Blade.

Mercado

Faz algum tempo que eu não falo de mercado. Vai ver eu não me sinto mais tão antenado como antigamente para tecer meus comentários à respeito. Ou quem sabe tenha caído a ficha de que hoje eu sou mais comedido em meus comentários e argumentos. Vai saber. Fato é que eu não sou nenhum entendedor do mercado – aliás, tirando os mercados que eu atuo como profissional (áreas de educação e nutrição) eu procuro manter distância de tendências e coisas assim.

Mas mesmo eu na minha auto-infringida cegueira pude perceber que o mercado está sim se agitando. Podem não ser os lançamentos que eu queria ver nas bancas e livrarias, mas são lançamentos. E todo lançamento – fora, claro, o Seres do Inferno – é um bom lançamento.

O mercado brasileiro não é como nenhum outro mercado no Mundo. Se no passado sobravam apaixonados amadores, hoje escasseiam os profissionais de nicho. Aconteceu alguma coisa que não permitiu que o mercado de RPG como um todo evoluísse. Prefiro não por a culpa em qualquer politicagem do governo.  Seria muito fácil apelar para a meritocracia pura e simples. Eu procuro outros agentes ocultos.

O mercado está do jeito que está hoje porque os jogadores foram educados para serem assim, do jeito que estão. É o velho e cômodo lance de empurrar com a barriga; deixar como está para ver como é que fica. Outra coisa que eu percebi é se ele está do jeito que está e não muda é porque alguém se beneficia desta situação. Assumir a sua parte no pacote de responsabilidades parece muito distante do ideal nacional. Os jogadores de hoje só são ruins porque deixamos que eles sejam. Onde estavam os mestres da “velha-guarda” para mostrar que RPG é mais que mata monstro, usa poder, pega tesouro?

Quando eu digo que o mercado brasileiro de RPG está meio estagnado eu não falto com a verdade, apesar de parecer que eu surtei. Temos poucos lançamentos – se compararmos com outras eras.

A idade média dos jogadores está aumentando, mas o seu número geral esta diminuindo. A cada dia que passa temos menos lojas especializadas, menos locais abertos para o jogo e menos encontros. E mesmo assim o jogador brasileiro nada faz. É claro que eu não faço – pode dizer alguém – eu só compro os livros. Quer movimentação maior do que esta? Bem para ser sincero, eu quero sim. Eu quero agitação, quero mesas de jogos, quero encontros locais, RPG nas escolas, nos clubes, no sesc… Onde você estava quando o pessoal do d30 DF fez seu último evento. Eu estava trabalhando de verdade. Qual é a sua desculpa?

Mas não é por isso que eu vou deixar de fazer a minha parte. E qual é a minha parte? Mexer, sacudir com o mercado. Fazer entender e entender que quem faz o mercado sou eu. Se ele esta ruim é porque eu deixei que ele ficasse ruim deixando de apoiar boas iniciativas ou apenas ficando em casa reclamando do preço. Precisamos de uma proposta combativa para atacar de frente a questão que o RPG se configura nesta primeira década do século 21. Os materiais estão aí: do econômico Mighty Blade ao cartonado em caixa do Dragon Age. Escolha suas alianças e lute por elas.

E quem poderia se beneficiar desta situação? Difícil dizer. Talvez uma meia mão de autores que conseguiram seu lugar ao sol e agora fazem sombra para qualquer um que queira chegar até onde eles estão. Ou mesmo a loja que vende pouco, mas não se arrisca. Reclamar é fácil irmão. Mas levantar a bunda da cadeira e dar combate é uma coisa que nem todo mundo pode ou quer fazer.

Só sei que do jeito que está precisamos nos sacudir, entender que o mercado somos nós e que nós mandamos nele e não o contrário. Conscientizar para não se deixar levar.

Aleatoriedades

Não foi a primeira vez esse mês. Não, não foi. Não foi a segunda. Na verdade, eu perdi a conta do número de vezes que isso já aconteceu. Eu paro na frente do PC e na hora de escrever o texto não sai bacana. Paro na metade e apago tudo o que eu fiz. Sinto um tédio absurdo quando isso acontece, como se as palavras não fossem boas o bastante para figurar no site. As vezes eu só me sinto cansado e sem pique para escrever. Faz tempo que eu não jogo uma boa partida, apesar de ter me encantado com o Mighty Blade e o Shotgun Diaries.

Na verdade eu nem sei o que é esse post. Um pedido de ajuda? Uma tentativa de colher solidariedade? Um desabafo? Não sei. Sei que eu não estou muito a fim de continuar escrevendo e sei que cedo ou tarde – mais cedo do que tarde – ele vai acabar de forma abrupta.

Bloqueio de escritor? Pode ser. Eu não descarto essa possibilidade. Pode ser que eu simplesmente esteja esgotado, com outros projetos mais importantes em mãos. Pode ser que não tenha visto nada que fosse interessante ou divertido de escrever sobre ou a respeito. Realmente eu não sei. As idéias simplesmente “dont ring the Bell”.

Entradas Mais Antigas Anteriores