Os novos heróis do Olimpo – Capítulo 4

Boa companhia para o almoço é coisa rara esses dias

Oliver avançou em direção a porta do Jerivá. O cheiro de comida parecia que o estava levando pelo nariz, como naqueles desenhos animados. Ele chegou perto da porta e ouviu um funcionário ralhando com um garoto. A cena chamou sua atenção imediatamente.

– Ô moleque! Aqui não é albergue para sem teto não. Cai fora antes que eu perca a paciência com você! – o funcionário esbravejava e gesticulava. – Não sabe ler não? Não aceitamos vagabundos aqui!

Na frente dele, no chão, encostado numa pilastra estava um garoto de uns quinze anos. Ele estava sentado com as pernas cruzadas, com um boné “hang loose” emborcado, onde se podiam ver algumas moedas e uma nota de dois reais bem amassada. O garoto tinha uns quinze ou dezesseis anos, era magro e atlético e deveria ter perto de 1,70m. Tinha cabelos descoloridos, um pouco compridos, como se tivesse feito um cabelo da moda alguns meses atrás e esquecido de cuidar. Vestia uma bermuda cor de caqui, bem folgada e gasta. Uma camiseta que uma dia foi branca ostentava um escudo com a sigla “RCPD”. O mesmo escudo estava estampado no ombro esquerdo da blusa, onde se lia em letras estilo militar a sigla “S.T.A.R.S.”. Para completar tudo o garoto estava com óculos escuros, estilo Jonh Lenon, e fones de ouvido enormes, com o desenho de uma esfera dourada salpicada de estrelas brancas. E mais: o garoto ignorava completamente o funcionário da loja – o que o deixava cada vez mais vermelho e irritado.

Alguma coisa mexeu com Oliver naquele instante. Talvez fosse o frescor da boa ação do seu Mercuttio ainda repercutindo na sua cabeça. Ele sentiu que precisava fazer algo.

– Ei champs! É aí que você está? Caramba, você me convida para almoçar, chega mais cedo e fica fazendo pose de mendigo. Não dá, né? Vamos entrar!

Oliver se esforçou para ser convincente e falar com naturalidade, mas tinha certeza que tinha gaguejado em algum ponto. Estendeu a mão para o desconhecido no chão esperando não ficar no vazio. Longos segundos se passaram antes que o garoto levantasse a cabeça e desse um pequeno sorriso. Oliver piscou e os dois apertaram as mãos.

– Espera um pouco! – disse o funcionário – Esse esmoléu tá rondado a lanchonete faz dois dias. Não vou deixar nem ele e nem você entrarem na loja. Tá na cara que você é outro esmoléu, só que mais bem vestido. Se não mostrar a grana não entra e ainda chamo a polícia.

Oliver odiava gente assim. E parecia que tinha um verdadeiro imã para encontrar esse tipinho que gosta de humilhar quem não tem nada. Foi do mesmo jeito com o atendente da Subway em Connecticut e com aquele rapaz da Haché, na Fulham Road, em Londres. Sem pensar ele enfiou a bolsa na mochila e sacou um maço de notas de cinquenta reais. Arrancou uma do bolo e disse com a voz firme: – Tá vendo essa grana? Tá boa para você? Agora eu vou dar esses cinquenta de gorjeta para o primeiro que me atender bem lá dentro e saiba de uma coisa cara… não vai ser para você.

O funcionário ficou sem ação. Oliver e seu companheiro entraram no restaurante, pegando as comandas com uma menina que só não sorriu mais forte porque não tinha como alargar mais a boca.

Os dois foram em silencio até o self service. E tinha de tudo. Vários tipos de arroz e feijão, vários cortes de carne, com cheiro e temperos irresistíveis. No final da rampa de panelas e bandejas ainda tinha um churrasco recém tirado do fogo. Oliver nunca fora de comer muito, mas dessa vez ele resolveu abrir uma exceção. Seu amigo também não deixava por menos. Comiam como se não houvesse amanhã.

Depois do primeiro prato os dois começaram a falar. O convidado foi o primeiro.

– Poxa cara, não sei como agradecer.

Oliver não sabia o que dizer. Não estava acostumado a ser o “herói”. Normalmente seu tio fazia esse papel de protetor dos outros. Não admitia nenhum tipo de injustiça. Chegava a ser chato às vezes.

– Deixa para lá. O meu nome é Oliver. Estou indo para Brasília e acabei perdendo a minha condução.

– Prazer em conhecer Oliver. O meu nome é Eric. Mas se você está indo para Brasília está do lado errado da estrada. Neste sentido está seguindo para Anápolis. É um bom lugar para visitar, mas com certeza não é Brasília.

Oliver fez uma cara de desamparado e puxou o frank do bolso. Sem linha e sem internet ainda. Ele sorriu como se pedisse desculpas:

– Parece que o meu guia quebrou. Já faz algum tempo que está sem sinal de internet e linha.

– Posso dar uma olhada?

Um pouco a contragosto Oliver entregou o frank a Eric. Não gostava dos outros fuçando o seu celular-tablet-torradeira. Eric o segurou com firmeza e forçou a tampa traseira até ela abrir. Tirou o chip da operadora, a bateria e deu uma boa soprada. Depois colocou os dois de volta com cuidado e tampou tudo com um click. Depois ligou frank e o colocou sobre a mesa. Em poucos segundos ele começou a apitar e vibrar como se tivesse ganhado vida. Eram dezenas de atualizações acumuladas de toda manhã.

Antes que Oliver pudesse perguntar como ele tinha feito isso Eric se adiantou:

– Funciona com os velhos cartuchos de supernintendo que eu costumava jogar no or … hã… na casa do meu tio Miguel.

– Você jogou mesmo num supernintendo? – Oliver parecia mesmo espantado. – com controles e tudo mais?

– Sim – concordou Eric, tomado de repente por certo orgulho.

– Eu só joguei por emuladores!

Os dois começaram a falar de jogos e a hora foi passando entre um novo prato e outro. Estavam realmente saciados e já tinham dado boas risadas juntos. Eram agora amigos.

– Sabe Oliver, tenho que te perguntar uma coisa. Como sabia que eu era um cara legal? Eu poderia ser um bandido. Por que você decidiu me ajudar?

Oliver sorveu um resto de limonada suíça do seu copo americano e comentou:

– Ninguém que usa camisa da Raccon City Police Department pode ser um cara ruim. Ainda mais se fizer parte do grupo S.T.A.R.S.!

Os dois começaram a rir de novo, até o ar faltar. Só então Eric comentou a tatuagem de Oliver.

– É recente, cara?

– Bastante… eu acho.

– Gostei da ideia de movimento que você fez nela. Achei bacana. Agora olha isso aqui! – Eric colocou o pé direito sobre a mesa e abaixou a meia até deixar a mostra uma asa estilizada desenhada no seu tornozelo. O traço era fino e firme. Estilizada e atemporal.

– Parece que somos irmãos de tinta. Mas olhe bem. Parece que são do mesmo artista. Onde você fez a sua, Eric?

– Eu não sei. Desde que me entendo por gente eu as tenho. No outro pé tem outra igualzinha. E a sua?

Oliver sentiu o estômago revirar. Como explicar ao amigo a luta com o demônio, a explosão do canivete suíço mágico e todo o resto? Ele ia achar que ele estava louco ou pior, que não queria contar alguma coisa. Mas antes que pudesse ensaiar uma resposta Eric deu um arroto alto e forte.

– É… parece que o porco deu sinal de vida. Acho melhor ir até o “cavalheiros” antes que as coisas piorem. Quando eu voltar a gente continua de onde parou. – e lá foi ele com passos rápidos até os banheiros, que ficavam do outro lado do restaurante, perto da portaria.

Oliver resolveu dar uma fuçada no frank para ver notícias e saber do que estava acontecendo no mundo.  As buscas sobre o tio deram em notícias velhas. A busca sobre ele revelou a manchete do jornal da noite sobre o estranho acidente aéreo que matou um deputado de ataque cardíaco, mas nenhuma palavra sobre ele ou sobre o demônio. Dava até mesmo para ver uma filmagem da despressurização do avião, mas Oliver não teve tempo. Sentiu sombras sobre ele. Seu sangue gelou e sua garganta secou. Era um homem de preto.

– O senhor é uma pessoa difícil de encontrar. – ele abriu o paletó mostrando um coldre interno e uma pistola automática – Vamos fazer isso sem alarde, ok? O senhor se levanta e me acompanha até a saída, nice and easy.

Oliver estava paralisado. Sua mão formigava e a tatuagem começava a esquentar. As palavras surgiram na sua mente “astéron thrá…” quando ouviu um grande baque e o agente caiu de joelhos levando as mãos à nuca. Atrás dele Eric segurava um caldeirão de feijoada, feito de ferro fundido.

-Vamos embora cara. O nosso almoço foi cancelado inesperadamente!

Antes de sair correndo Eric deu mais uma panelada na cabeça do agente, cobrindo-a em seguida com a panela de ferro. Oliver correu para a porta de saída, onde alguns funcionários faziam uma espécie de cordão de isolamento. No meio deles, segurando um pedaço de pau estava o atendente de mais cedo, com um sorrisinho vingativo no rosto. Não dava para ir por ali. Então Eric enfiou a mão na mochila de Oliver e puxou o maço de notas de 50 reais, jogando tudo para cima. Começou a chover onças para todos os lados.

– Aê galera, quem quer “denhêro”? A-hai!

A confusão foi instantânea. Dezenas de pessoas se estapeando para pegar as notas do chão. Bagunça o bastante para se esgueirar pelos cantos e sair do restaurante.

Ganharam o estacionamento. Viram um carro preto com um outro homem de preto lendo jornal. De repete ele larga o jornal e sai em direção ao restaurante.

– É a nossa chance! – disse Eric correndo em direção ao carro. – Você não vem?

Oliver não tinha muita escolha. Entrou no carro pela porta aberta e percebeu que nenhum dos dois tinha chave.

– Ah, você fala disso? – disse Eric mostrando o molho de chaves na mão. – Eu achei que teríamos mais chances de sair daqui se o dono do carro não pudesse dar a partida.

O carro ligou e saiu pulando pela estrada… obviamente Eric não tinha muita certeza do que estava fazendo…

– Você sabe dirigir isso cara? – Oliver perguntou preocupado.

– Não, mas eu joguei muito GTA!

O carro foi pegando velocidade e sumindo da vista pela estrada bem pavimentada.

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Os novos heróis do Olimpo: capítulo 3

Caindo… na estrada

Dizem que quando você está às portas da morte, vê sua vida assar diante de seus olhos. Bem, se isso for verdade, pensou Oliver, a minha vida foi mesmo um saco porque não consegui ver e nem ouvir nada, a não ser o negrume da noite a 3km de altitude.

O pior era não saber para que lado estava caindo. Sabia que era para baixo, mas a sensação era agonizante. Não tinha muito tempo, sabia disso. Era como pular de um trampolim alto de olhos fechados. Você acha que demora mais para cair. Pensou em tudo o que vivera nas últimas horas e como tinha sido empolgante. Sentia o corpo cheio de vida, como se o mundo tivesse começado naquelas horas que antecederam a sua queda. Sentia-se estranhamente vivo. E que injustiça morrer dali a 20 segundos, esborrachado no chão de algum lugar entre o Goiás e o Distrito Federal.

Então ele bateu de bunda no chão. Não foi a pancada que esperava. Doía mais como “fui sentar e alguém puxou a cadeira” do que “fui jogado para fora de um avião comercial a 10 mil pés de altitude”. A escuridão clareou e ele percebeu que não estava não chão. Também não se parecia com o céu, a não ser que o céu se parecesse com o piso metálico de uma fábrica ou laboratório. Na frente dele uma mulher de longos cabelos cacheados estava enfiada num macacão industrial muito largo para ela. Ela passava os dedos sobre um tablet, como se estivesse procurando alguma coisa. Finalmente notou Oliver e comentou com uma voz metalizada, que Oliver reconheceu na hora: era a voz feminina do google translator.

– Quem é…

Oliver não teve tempo de terminar a pergunta. A mulher falou, sem mexer os lábios, direto na sua cabeça: quem eu sou não é importante. O que importa é que temos pouco tempo. Não, eu não sou sua mãe, embora tenha sido feita de um molde parecido com o dela. A verdade será revelada a seu tempo, mas a sua jornada deve continuar. Vejo que a astéro̱n thráf̱sma se adaptou bem a você. Bem até demais.

Só então Oliver teve tempo de olhar a mão que segurava o canivete suíço-mágico-sabre-de-luz. Nas costas da mão estava metade do desenho de uma estrela, como uma tatuagem incompleta. Na palma estava a outra metade. Girando rápido o punho o desenho se completava, como naqueles desenhos animados de uma página de caderno. Era um troço maneiro – de certa forma.

Temos pouco tempo, a voz do google translator chiou um pouco de estática. Em poucos segundos você vai estar no chão. A espada é uma dádiva e vai se manifestar quando você precisar. Ela parou um pouco, sua face de manequim sem expressão fitou-o por um segundo como se quisesse perscrutar seus sentimentos e então falou, com uma voz tão familiar que levou Oliver imediatamente às lágrimas: “Não se preocupe, vai dar tudo certo, eu te amo”. Era uma voz que ele conhecia, não sabia como, mas conhecia. Era a voz da sua mãe.

Oliver acordou. Estava deitado na grama. Ou algo que se parecia com grama. Era um tipo de mato mal cortado. Acima dele o céu noturno, tão salpicado de estrelas que mal se via o negrume da noite. Era uma visão tão linda que por alguns instantes ficou embevecido. Era como se o mundo, a queda do avião, a mensagem da mulher com voz de máquina não fossem nada. Ele ficou ali deitado, sentindo o cheiro de mato por algum tempo. Não soube precisar quanto. Podem ter sido só uns minutos, mas podem ter sido horas e horas. Por fim ele se levantou, como se tivesse dormido na melhor cama do mundo. A mochila estava firmemente afivelada ás suas costas. Ele pegou o frank, estava sem sinal de telefone e sem sinal de internet. Uma vaca passou perto, como se reclamando que Oliver estivesse em cima de seu café da manhã. Então Oliver viu o que parecia ser uma cerca e, mais adiante, brilhando como um rio de luz, o que parecia ser uma estrada. Ele pôs frank no bolso e começou a caminhar.

Estava numa estrada sim. Ao que parecia, uma BR. Era uma pista larga, com duas faixas de cada lado da estrada, separadas por um canteiro central. Estava movimentada e com o asfalto bem cuidado, com limite de velocidade passando dos 100 por hora. Atravessar estava fora de questão. Ele tinha duas opções: seguir na direção dos carros do seu lado da pista ou seguir em sentido contrário. Não tinha qualquer outra indicação. Resolveu andar na direção dos carros. Era um palpite tão bom quanto qualquer outro. O friozinho da noite já dava espaço para o calor do dia. Na estrada mesmo resolveu tirar o agasalho e ficar só de camiseta. Sentia-se um pouco nu sem o capuz para cobrir a cabeça. Andou por algumas horas, sendo acossado pelo passar dos carros, até achar uma placa furada à bala, escrito em tinta verde e branca: BR 060. Já sabia onde estava, pelo menos. Ainda não tinha ideia de onde estava exatamente mas sabia de duas coisas: uma – e mais óbvia – estava perdido; e duas – tão óbvia quanto – estava com fome.

Mais adiante viu uma caminhonete parada à beira da estrada. Era uma caminhonete f-1000, branca, de placas de Goiás. O capô estava levantado e um senhor de idade, pele bronzeada, magro, de porte quase atlético estava olhando para ele, limpando as mãos com um pedaço de pano. Era um tipo sorridente, que inspirava confiança, vestido de forma sóbria e simples: calças de tergal cor de creme, sapatos sociais um tanto gastos de cor marrom mais escura, combinando com o cinto de mesma cor. A camisa era de algodão, pano passado. Na altura do pescoço um crachá com o símbolo que Oliver reconheceu na hora: sesc. Mas era um crachá antigo que mostrava uma família de três pessoas na frente de um grande capacete com asas.

– Bom dia, andarilho! – ele saudou com um sorriso de vendedor de carros usados – que bela manhã para um problema nas velas de ignição, não é?

Oliver ficou meio sem jeito de responder. Não era bom com pessoas como era com máquinas.

– Bom dia, senhor.

– Me diga garoto, para onde você está indo? Por acaso não é desses menores abandonados que fugiu de casa é?

– Não senhor. Apenas perdi minha passagem. E resolvi andar para ver se pegava uma carona ou um transporte qualquer – Oliver não gostava de mentir e até certo ponto não estava: perdera mesmo a passagem de avião e agora estava em busca de outra passagem. E, além do mais, para que falar sobre demônios, espadas e quedas-livres?

– Bom, você parece ser um bom menino. Eu sei quando as pessoas estão mentindo para mim – o homem piscou o olho – o que me diz de uma carona até o Jerivá? Lá você pode tomar café, ou como é o caso, emendar o almoço. O melhor da cozinha goiana, em todo Goiás. Juro pela minha mãe mortinha!

Oliver estava seduzido pelo jeito “meio falso/meio honesto” do funcionário do SESC. Estava na cara que o sujeito tinha bom coração, mas também era patente que ele gostava de contar alguns “causos” de vez em quando. Resolveu aceitar. A viagem transcorreu em pouco mais de 20 minutos, pouco mais de 25 quilômetros. Mas parecia bem mais. O papo daquele homem era muito bom. No fim Oliver estava mais do que grato pela sua carona. Pararam na porta do Jerivá. Oliver desceu, mas o seu companheiro não fez menção para isso. Atendeu uma ligação num antiquado aparelho celular, desses tijolões, e se despediu rapidamente.

Mas antes de ir disse: Se precisar de alguma coisa e eu puder lhe servir basta apresentar este cartão na portaria de algum SESC. Já não sou mais tão influente quanto antes, mas ainda tem gente que me deve um ou dois favores. E falando em favores, não esqueça disso: quando você faz um favor a um desconhecido, está fazendo um bem ao universo. E o universo, assim como um Lannister, sempre paga suas dívidas. Era estranho um velhinho daqueles do interior citar Game of Thrones, mas Oliver não se importou. Talvez fosse hora mesmo de rever seus conceitos.

O homem saiu cantando pela estrada na sua f-1000. Oliver olhou o cartão: Mercuttio Maia – gerente administrativo sênior – SESC nacional.

O cheiro da comida chamou sua atenção mais ainda e ele foi na direção do restaurante. O dia estava começando de verdade.

Os novos heróis do Olimpo – Capítulo 2

Senhores passageiros, em caso de despressurização da cabine, não pulem pela porta aberta do avião.

Oliver entrou pelo saguão do aeroporto e se dirigiu às máquinas de check-in automático. No caminho percebeu uma quantidade diferente de seguranças. Em todo lugar tinha alguém com um walkie-talkie e olhos vigilantes procurando alguma coisa, ou alguém. Alguma coisa coçou na sua nuca, e ele se sentiu incomodado de verdade. Era como se ele soubesse que estavam à sua procura. Como se ele fosse o alvo de todos aqueles olhares curiosos.

Casualmente, Oliver evitou a área de check-in, indo em direção aos banheiros perto das lojas de Duty Free. Parou perto de uma fileira de bancos que dividia espaço com uma coluna de concreto, num lado cego da parede. Ali ele poderia ficar uns minutos sem despertar a atenção de ninguém. Tirou o frank da mochila e num par de deslizadas de dedos hackeou o sistema de câmeras do aeroporto. O que ele viu não o deixou nem um pouco mais aliviado. Havia viaturas de polícia nas pistas de decolagem, e agentes de segurança usando coletes vermelhos em  todos os portões de embarque. Mas o que o deixou realmente assustado foi ver um grupo de agentes especiais entrando pela porta da frente: eles usavam ternos baratos, quase retos, com gravatas pretas e óculos escuros, mesmo à noite. Pareciam uma mistura mais que real e assustadora de figurantes do filme “homens de preto” com os agentes de “matrix”. Um deles olhou diretamente para a câmera de segurança, como se olhasse diretamente para Oliver, apontou o dedo e fez o movimento como o de um tiro sendo disparado.

A câmera parou de funcionar imediatamente. Oliver pulou para trás, quase caindo da sua cadeira. Não poderia ser só coincidência. Tinha de sair dali e com rapidez. Ele apressou o passou e pegou um jornal esquecido em uma das cadeiras e foi sentar-se lá do outro lado do salão, perto dos elevadores. Pôs o jornal por sobre o rosto, como se estivesse lendo e esperou. A espera durou muito pouco. Dois agentes de segurança, com coletes vermelhos com o nome “Giges Segurança: cem mãos e cinquenta cabeças para a sua proteção” vieram correndo e vistoriaram a área. Passaram por onde ele estava sentado. Oliver piscou por um instante e penou estar alucinando: por um momento não eram homens e sim cães enormes em forma mais ou menos humana, com as roupas e os coletes. Um deles abaixou-se na cadeira e pareceu farejar. Oliver sentiu uma pontada na cabeça – as dores tinham se tornado mais comuns desde que completara 14 anos – e instintivamente entrou no elevador. Apertou o primeiro botão que passou os dedos em cima e a porta fechou, a tempo de sua visão voltar ao normal e os homens cachorros virarem apenas seguranças particulares de novo.

Estava suando dentro do elevador. Foi que percebeu a placa “elevador em reparos, dirija-se a outro elevador, por favor”. O elevador passou do teto, indo para o novo andar que esta sendo construído. Ele sabia que o aeroporto estava em reformas. Mais dois andares estavam sendo erguidos por cima dos andares originais. Agora lá estava ele, no primeiro andar do novo pavimento. As portas do elevador abriram como se o convidassem para sair de lá. Depois de dar dois passos para fora da cabine a mesma se desligou como se não tivesse qualquer energia. Mesmo as portas estavam abertas, como se anunciassem um elevador com defeito.

Oliver andou até uma das colunas e se sentou. Tinha de por a cabeça em ordem. O que deveria fazer? Como ir embora? Olhou à sua volta. Estava sozinho no andar em construção, cercado por material de construção, ferramentas e poeira. O frank apitou, lembrando que ainda tinha dois minutos para fazer o check-in eletrônico. Agora mais essa. Resolveu arriscar. O plano surgiu na sua cabeça como uma torrente de informações. Fez o check-in com seu nome e depois comprou mais umas duas passagens. Usou o cartão de débito on line. Começou a usar os programas do frank para fazer reservas e mais reservas, mandando inclusive um taxi ir busca-lo. Hackeou mais uma vez o sistema de segurança do aeroporto e pôs seu plano em prática. Pegou o celular, ativou um programa que mascarava sua voz e disse para a frequência dos walkie-talkies.

– Atenção pessoal da segurança: alvo localizado saindo do aeroporto. Ele acaba de entrar num taxi, descendo em direção ao centro da cidade.

O efeito foi como ele havia planejado. Lá em baixo, dúzias de pessoas corriam para fora do aeroporto, como se fossem um monte de baratas tontas. Ele olhou para o elevador e as luzes se acenderam de novo, como se o estivessem convidando para entrar. Ele entrou e o elevador desceu, sem que precisasse apertar nada, deixando-o na porta do embarque. Ele foi até uma das máquinas de check-in eletrônico e imprimiu suas passagens. Quatro no total. Uma para Brasília, que tinha comprado mais cedo; outra para Manaus, no vôo que decolaria em dez minutos; outra para Fortaleza e a última, que ele realmente pretendia embarcar, para Goiânia.

Pegou o passaporte italiano e apresentou na hora do embarque. A mulher da companhia aérea, solícita, falou com ele em inglês macarrônico e ele embarcou. Com frank ligado ele viu notícias ao vivo de um taxi que tinha se metido em uma perseguição com policiais e do vôo para Brasília que havia sido cancelado por uma ameaça de bomba a bordo.

Oliver guardou o celular e recostou-se na poltrona. Nunca antes tivera uma sensação tão boa ao decolar. Colocou os fones de ouvido afundou ainda mais o capuz. Estava cansado, estranhamente cansado. Cochilou quase que instantaneamente.

No sonho ele estava na universidade de Berlim, aprendendo alemão com sua tutora. Hilda sempre implicava com o modo que ele pronunciava o “vän”, fazendo-o repetir infinitas vezes. De repente o mundo pára, como se alguém tivesse apertado o botão de “pause”. Tudo parou, congelado no ar: pássaros voando e os lábios da tutora eram agora estátuas vivas. Só ele se mexia. Então ele ouviu passos. Virou-se e viu um casal vindo na sua direção. Eles pareciam de outro tempo: num instante reconheceu o pai, tão jovem quanto nas fotos antes de morrer. A mulher ao seu lado era a mesma da foto do avião. “Mamãe” deixou escapar de seus lábios. Mas ela não ouviu, nem mesmo o pai. Os dois passaram por ele, como namorados, conversando casualidades. Ele se virou para acompanhar o movimento, mas viu apenas o pai, acompanhado por uma linda forma de luz, como uma estrela. O brilho foi interrompido com o som que parecia um tiro ou um trovão, não soube ao certo. Ele olhou e viu um dos agentes vindo na sua direção com uma adaga.

Oliver acordou assustado, ofegando, com o celular tocando o despertador. Ele olhou aturdido e viu o mesmo agente de seu sonho ali na sua frente, sacando a adaga do bolso do terno. Oliver levantou da poltrona com um pulo. Em volta, tudo congelado no tempo, como no seu sonho. Mas ele sabia que estava acordado. Sua visão turvou e o agente mudou de forma: tinha uma cabeça vermelha, com olhos negros e vazios em suas órbitas. Os dentes eram pontudos e seu hálito cheirava alguma coisa morta há muito tempo.

– Você pode ver como sou. Que bom! Não preciso mais dessa tola ilusão. Você nos deu trabalho, mas agora vai morrer. Fique parado e eu prometo que será quase indolor.

O demônio – não havia outro nome para se referir àquela coisa, pensou Oliver – esfaqueou um senhor deitado. O espírito do homem se mexeu como uma imagem duplicada de si mesmo agarrando o peito, como se estivesse tendo um ataque cardíaco. O garoto seria o próximo.

Oliver estava em pânico. Pôs a mão no bolso e sacou o canivete suíço. Era um modelo antigo, compacto e pequeno. Vermelho, com as cores douradas do símbolo de estrela destacando-se sua ponta. Ele nem sequer teve tempo de puxar puxou a lâmina do canivete para fora. Ela mesma sacou sozinha, como se fosse feita de metal líquido, como no filme do exterminador do futuro. Ela projetou-se para frente mais de 90 cm, assumindo o formato de uma espada antiga. Parecia uma espada grega, pesada. O agente deu um passo atrás, mas controlou-se e empertigou-se.

– Essa espada – ele balbuciou – não é possível! Ela deveria ter sido destruída eras atrás. Como você a conseguiu? Não importa, agora mesmo eu vou te matar e vingar meus companheiros que padecem no tártaro por tua causa e de teus sói.

O cabeça vermelha atacou. O golpe foi certeiro, digno de um profissional, mas o braço de Oliver moveu-se antes que ele pudesse pensar, bloqueando a estocada fatal. A lâmina da espada mudara de formato novamente, aparentando agora uma espada curta e larga, como vira antes num jogo de videogame. Oliver pensou em dar um passo para trás e recuar, mas quando viu estava lutando. Não apenas lutando, mas empurrando o agente pelo corredor. Oliver nunca fora do tipo atlético: a única vez que tentara fazer alguma luta foi jogando star wars no nintendo wii – e mesmo assim falhara miseravelmente. Mas lá estava ele, empurrando um katómeros, um demônio do mundo inferior com a sua espada-canivete-suíço-mágica.

– Espere aí, mas como é que eu sei que você é um kató…

Oliver não chegou a terminar a frase. O cabeça vermelha aproveitou-se da falta de concentração de Oliver e aplicou um chute frontal que o empurrou seis filas de poltronas para trás, bem perto da figura paralisada de um senhor de idade tomando água numa garrafinha de plástico. A espada caíra perto dele, quase ao alcance da mão. O ar faltou de seus pulmões e o desespero tomou conta dele enquanto o demônio de cabeça vermelha se aproximava.

– Seu sangue não despertou ainda, pelo menos não totalmente. Aposto que nem foi reclamado e nem sabe o que sou ou mesmo porque vai morrer. E nem vai ter chances: morra mestiço!

 Oliver implorou por ajuda, esticando a mão e tudo que veio à sua mente foi a voz de uma mulher sussurrando um nome… era um nome distante e ao mesmo tempo familiar, como se ele tivesse ouvido esse nome centenas de vezes no passado. O nome queimou em sua garganta e ele o gritou: astéro̱n thráf̱sma!

O que ele viu a seguir só poderia ser a cereja do bolo de um sonho louco: a espada-canivete voou para sua mão e explodiu em seguida. O brilho fez o katómeros recuar. A espada agora era um estilizado fragmento de estrela em suas mãos. Seu braço apontou na direção do agente e seus músculos se contraíram. Uma nova rajada de luz, só que agora concentrada como um raio explodiu no peito do agente, empurrando-o como uma flecha em direção à porta da frente. A porta abriu-se, e por um momento nada aconteceu. Oliver se levantou e pegou a mochila do compartimento de bagagens acima de sua poltrona. O mundo parecia ainda estar congelado.

– Espere aí – ele pensou em voz alta – essa é uma cabine pressurizada e estamos a mais de 10 mil pés de altitude, voando a pelo menos 400km por hora. Não deveria acontecer alguma coisa?

Oliver não teve tempo de pensar sobre o assunto. Num borrão de cores tudo voltou a se mover. A explosão da porta o atordoou e antes que ele pudesse pensar em reagir, ele estava sendo sugado para fora do avião. Ele tentou se agarrar em qualquer coisa, mas por fim foi sugado para fora, como um lenço jogador fora de um carro voando pela auto-estrada.

Os novos heróis do Olimpo – um fanfic de Percy Jackson

Oliver

Se havia alguma coisa que Oliver odiava nesta vida eram quartos de hotel e aeroportos. Quartos de hotel tinham sempre a mesma cara, o mesmo cheiro, os mesmos sorrisos falsos na recepção. E aeroportos, bem, ele não sabia dizer por que, mas também os odiava. Achava que tinha algo a ver com o barulho, o movimento incessante de gente ido e vindo, as bagagens na esteira rolante, ou as longas horas esperando conexões.

E para seu desespero, quartos de hotel e aeroportos faziam parte da sua vida com muita frequencia. Aos 14 anos, o passaporte de Oliver já estava na sua terceira encarnação. Não que ele tivesse destruídos as outras duas, mas porque não havia mais espaço para carimbar! Tudo culpa de sua única família viva que conhecia, o tio Eduardo. O tio era professor universitário, pós-doutorado em alguma coisa. Quando estava em casa – ou no quarto de hotel – era um sujeito legal, espirituoso, mas sempre com alguns tiques nervosos. Era um tipo esquisito, acadêmico, que ganhava a vida dando cursos rápidos e palestras pelo mundo. Ele era amigo pessoal de gente como Bill Gates, Steve Jobs e já tinha até mesmo sido convidado para jantar na casa branca… O tio era mesmo uma figura, quando estava por perto.

Citar o nome do tio era ao mesmo tempo divertido e doloroso. O tio era irmão do pai de Oliver. Tomás de Albuquerque, o pai de Oliver, era professor de filosofia e ciências da computação (tudo a ver!) na Universidade de Illinois, em Chicago. Foi lá que ele conheceu Astrid, sua mãe, uma famosa jurista e astrônoma (tudo a ver de novo!). Bem, famosa é modo de dizer, uma vez que vasculhando a internet durante anos ele nunca encontrara mais informações do que seu tio havia lhe dado. Seu nascimento também era envolto em muito mistério: Astrid desaparecera numa noite de verão para não dar mais notícias. Um ano depois, seu pai morre num acidente de carro. E finalmente Oliver surgiu na recepção do quarto de hotel do recém doutorado Eduardo de Albuquerque. Oliver jamais vira uma foto da mãe, mas o tio jurou que quando completasse 16 anos, tudo seria revelado.

Oliver não era capaz de se lembrar de ter passado mais que seis meses numa única cidade. Só naquele ano, era o quarto país que visitavam. Se bem que o Brasil era meio que uma “base de operações mais ou menos fixa”. Com um roteiro como esse a educação tradicional era impossível. O tio contratava tutores, mas na maior parte do tempo, incentivava Oliver a buscar, ler e conhecer coisas que o interessavam. Com pouco mais de 1,60m e 50 quilos, cabelos curtos e castanhos, e quase nenhuma aptidão para os esportes, Oliver voltou-se para o mundo virtual. Ah, e como era bom nisso. Era como se os computadores o entendessem! Era capaz de aprender a usar qualquer programa de forma quase que intuitiva. Não só isso, era bom de eletrônica e programação também. Seu celular era uma mistura de i-phone chinês, com notebook, e mais meia dúzia de outras peças e programas.

E justamente naquela noite, Oliver estava a pouco mais de quatrocentos metros do Aeroporto Internacional de São Paulo. Sentado, aproveitando a rede wi-fi da lanchonete ele estava um pouco apreensivo. Uma das esquisitices do tio era seus mirabolantes “planos de contingência”. Ele tinha planos e protocolos para serem seguidos em virtualmente qualquer situação: desde ataques de zumbis, inundações em escalas globais, megaterremotos, a queda de um meteoro e até a terceira guerra mundial entre Canadá e Turquia. Muitos deles eram risíveis, mas outros, ele fazia questão de praticar. Aquele parecia ser um deles, mas estava ficando real demais. O tio estava dando aulas na USP e o deixara na Biblioteca do departamento de filosofia. Ele leu tudo o que quis sobre Empédocles – e até mesmo o que não quis – escaneou algumas páginas e nos últimos vinte minutos antes do almoço estava se divertindo com os quadros de humor de Marcelo Adnet. Foi quando a mensagem chegou no seu frank (abreviatura de fransknstein, o modo carinhoso como ele tratava seu celular-tablet-pc-torradeira -e-mais alguma coisa): “protocolo 122-1”.

Este protocolo dizia assim: “vá ao quarto de hotel e na recepção peça pela maleta que eu esqueci. Pegue a maleta e rume para o aeroporto. Compre uma passagem para Brasília, com o cartão de débitos que está na maleta. Lá, acesse seu e-mail e pegue o nome e o telefone do contato que vai te dar guarita. Saia da cidade imediatamente. Se eu não o encontrar no aeroporto, não espere por mim. Não confie em ninguém, especialmente a polícia e os homens de preto”.

Quem lesse o material estaria convencido da loucura do tio. Mas não Oliver. Ele sabia que era sério. Não era a primeira vez que o tio aprontava das suas. Nas primeiras vezes Oliver bem que achou engraçado: era como estar num filme de James Bond, mas com o passar dos tempos a “fuga rápida da cidade” começaram a chatear.

E dessa vez a situação era mais que real: a maleta estava lá, esperando por ele. Dentro dela haviam alguns documentos assinados de autorização de viagem de menores, algumas centenas de dólares, quatro mil reais em dinheiro, algumas moedas de e ouro da Grécia Antiga (como era  mesmo o nome? Dracma?) e seu passaporte. O problema é que não havia apenas um passaporte e sim vários. Todos com sua foto, mas de nacionalidades diferentes: a da Itália lhe conferia o nome de Bernardo Stelle, a francesa o chamava de Phillipe Etóiles e havia mesmo uma russa que o chamava de Andrei Zvezdy. Havia também uma foto, velha e marcada, onde ele reconheceu o tio e o pai ao lado de um avião a jato. Na aeronave lia-se o nome Dedallus Project. Sentada na cabine estava uma figura feminina, que só deus sabe como, ele reconheceu como sua mãe imediatamente. Havia também um canivete suíço.

Então, lá estava ele, decidindo-se entrar ou não no saguão principal e ir pegar seu voo. O check-in terminava em dez minutos. Ele empurrou uma porção de fritas frias e oleosas para entro da boca e chupou o último gole de coca pelo canudo. Nada do tio aparecer. Oliver jogou o capuz do casaco por cima da cabeça e colocou a maleta dentro da mochila. Era uma mochila de couro, um dos poucos objetos que herdara de seu pai. A mochila estava estranhamente leve e sem peso, apesar de estar com algumas mudas de roupa.

Por fim, tomou coragem e atravessou a rua, passando pelas portas automáticas que levavam ao saguão principal: sem saber ele estava embarcando na maior aventura de sua vida.

1ª postagem de maio

É bom estar de volta

Bom, faz tempo que não escrevo aqui, não é mesmo? Tempo demais. Tanta coisa para atualizar e tanta poeira para espanar que nem dá vontade de fazer nada. Mas vamos ver se eu consigo me forçar a escrever algumas mal traçadas linhas.

Estou lendo atualmente a saga de Percy Jackson.  A Marca de Atena. Não é o melhor dos livros da série, mas coloca muita coisa em perspectiva. Achei legal o fato do Riordan ter amarrado a história com personagens que passaram em outros livros. É um cuidado fino que a maioria dos autores simplesmente não tem. É bom ver as faces antigas retornando depois de 3 ou 4 livros.

Já tenho uma história em mente e pretendo mestrar essa história no próximo encontro d30 – no melhor estilo adaptação. O sistema vai ser uma mistura de Shotgun Diaries e Scion (da White Wolf). A única dúvida que eu tenho mesmo é se vou usar personagens prontos ou se vou deixar que os jogadores criem seus próprios.

Outra novidade é que eu gostei muito do resultado do playteste que eu fiz de um sistema medieval ainda sem nome. Ele é meio D&D/meio Daemon reunido o que há de melhor dos dois sistemas. O que esta pagando é que eu estou trabalhando com duas mecânicas distintas: a de magia para magos e a de ataques especiais para outros personagens. E isso vem me quebrando a cabeça porque não funciona ter duas mecânicas distintas para fazer basicamente a mesma coisa – que é causar dano no inimigo.

Assim sendo, no próximo playteste eu vou tentar usar uma mecânica unificadora: magias, efeitos de combate e manobras especiais vão seguir a mecânica de ataque especial. Você monta como quer e paga pontos por ele. Vantagens custam pontos e desvantagens dão pontos. Por exemplo, um arqueiro poderia fazer um disparo especial que afetasse mortos-vivos. Técnica Especial, com os efeitos Condição Especial (precisa do arco para ser ativado), Afeta (mortos-vivos). Dessa forma podemos emular qualquer técnica ou ataque mágico que os jogadores conheçam ou pensem, Passou disso, improvisamos. A lista já via bem grande com efeitos como: Afeta (tipo de criatura), Não causa dano, Veloz, Em Aérea, Vampirismo, Paralisia, Névoa, Energético (tipo de energia), entre muitos outros. Estou louco para testar.

De resto, nenhuma novidade. Alguém recomenda alguma série boa para assistir que não seja mainstream?